Palancas Negras fora do CAN

Angola termina a disputa da 32ª edição da Taça de África das Nações em futebol, que decorre no Egipto até ao dia 19, como um dos piores terceiros classificados, após derrota ontem, frente ao Mali, por 0-1, no encerramento do Grupo E.

Sempre a fingir que jogam, enquanto a Federação faz de conta que honra os compromissos, os Palancas Negras mostraram mais do mesmo. Uma ténue intenção de vencer, porém contrariada pela falta de músculo para as despesas do ataque.

Até Gelson Dala, elemento mais esclarecido no processo ofensivo, foi incapaz de evitar que a Selecção Nacional se-guisse o destino da congénere do Quénia, fracasso aplaudido pelos Bafana Bafana da África do Sul, qualificados no hotel, diante do televisor.

As contas eram simples. Bastava somar um ponto aos dois conquistados frente à Tunísia e à Mauritânia, adversárias que não passaram do empate sem golos, na cidade de Suez.

Talvez amedrontados pela possibilidade de defrontarem os Camarões e o Ghana, ou nas contas mais desfavoráveis o Egipto, no Estádio Internacional do Cairo, os pupilos do sérvio Srdjan Vasiljevic, que ontem mesmo cessou funções, mostraram tudo, menos competência para merecer a continuidade na competição.

Os primeiros cinco minutos criaram a ilusão de que em campo estava uma equipa angolana preparada para cumprir mais do que os serviços mínimos. Mateus Ga-liano tentou indicar o caminho da superação aos colegas, que cedo assumiram a falta de capacidade competitiva.

Veio ao de cima o clima pesado instalado há uma semana no balneário, mal-dissimulado pela direcção encabeçada por Artur Al-meida e Silva, que no calor de uma discussão, antes do jogo com a Mauritânia, chegou a apontar a porta de saída ao seleccionador.

A falta de sintonia entre a equipa, aparentemente blindada pelos treinadores, e os dirigentes, facilitou a tarefa aos adversários, que defrontaram um opositor afectado no plano motivacional. A desconfiança mútua fez com que os discursos a apontar à vitória e consequente apuramento não passassem de palavras soltas ao vento, livres de qualquer compromisso.

No primeiro tempo, os Palancas Negras conseguiram apenas uma aproxima-ção à baliza à guarda de Djigui Diarra, desperdiçada por Gelson. Chegou-se a questionar se o desacerto do avançado fazia parte de um eventual acordo de cavalheiros, no sentido de o empate beneficiar ambas as selecções.

A certeza de que a disputa estava livre de combinação foi dada por Amadou Haidara, aos 37 minutos, ao rematar cruzado de fora da área, sem hipótese de defesa para Tony Cabaça. A segunda linha das Águias malianas, já que o técnico Mohamed Magassouba fez descansar sete titulares, inclusive os influentes Moussa Marega e Abdoulaye Diaby, confirmavam prontidão para suplantar os Palancas Negras.

Tudo na mesma

As mudanças oneradas no segundo tempo, com a en-trada de Show e Wilson Eduardo, alteraram apenas o desempenho defensivo. O médio do 1º de Agosto, pouco produtivo na sua estreia frente à Mauritânia, depois de cumprir castigo, por acumulação de amarelos, no primeiro jogo, equilibrou a disputa no centro do terreno, mas a qualidade da posse da bola e a criação de linhas de passe continuaram a ser as grandes pechas da equipa, incapaz de conduzir acções no espaço entre linhas.

Nem a entrada de Mabululu, a substituir um esforçado Geraldo, no entanto pouco colectivo, deu profundidade à equipa, que quase não incomodou o guarda–redes maliano. Mais parecia um desafio com apenas uma baliza, a de Cabaça, porque na outra a bola chegava sempre morta.

O afastamento precoce remete a uma reflexão séria do futuro da Selecção Nacional, por forma a definir em que bases se vai disputar o apuramento para o Mundial Qatar 2022. Muitos jogadores presentes no Egipto já manifestaram indisponibilidade quanto a futuros compromissos, num quadro de défice organizativo e incumprimento de acordos.

Fonte:JA

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